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Assagioli, Virgínia Woolf e nossos "eus"

October 9, 2018

 

Os grandes artistas muitas vezes expressam de forma criativa - na música, na pintura, nos poemas - conceitos formulados por cientistas e pesquisadores. Achei interessante comparar as descrições sobre um aspecto do funcionamento psicológico - a nossa capacidade de ser múltiplo sem perder nossa identidade - feitas por um cientista e por uma escritora. 

 

Roberto Assagioli, psicólogo que fundou a Psicossíntese, fala sobre a multiplicidade de "eus" que habitam dentro de cada um de nós. Refere-se às subpersonalidades - diferentes configurações dentro do todo da personalidade, com padrões de comportamento específicos e características individuais bem marcadas. De um certo modo, cada um de nós é uma multidão. Co-habitam num mesmo sujeito o profissional competente, o marido cuidadoso, o rebelde, a criança regredida, o organizador, o velho sábio, o amigo amoroso. 

 

Conhecer-se profundamente implica em ter acesso a todas estas nossas facetas, sem nos confundirmos com nenhuma delas. É perceber que a inter-relação entre estas partes é que formam o todo que nos faz ser quem somos. (ver mais na página do Centro de Psicossíntese de São Paulo)

 

Virgínia Woolf, escritora inglesa que viveu de 1882 a 1941, diz em "Orlando", descreve esta mesma idéia de uma forma poética: 

 

"Esses eus de que somos feitos, sobrepostos como pratos empilhados, têm outros vínculos, outras simpatias, pequenas constituições e direitos próprios - chamem-lhes o que quiserem (e muitas destas coisas nem sequer têm nome) - de modo que um deles só comparece se chover, outro só numa sala de cortinados verdes, outro se Mrs. Jones não estiver presente, outro ainda se se lhe prometer um copo de vinho - e assim por diante; pois cada indivíduo poderá multiplicar, a partir da sua experiência pessoal, os diversos compromissos que os seus diversos eus estabelecerem consigo - e alguns são demasiado absurdos e ridículos para figurarem numa obra impressa."


São diferentes modos de falar sobre a riqueza da personalidade humana, com propósitos diferentes (Assagioli propõe uma metodologia terapêutica, Woolf usa a ficção para descrever magistralmente a alma dos personagens). E ambos nos fazem refletir, buscando conhecer melhor cada um destes nossos pequenos "eus" e ampliando o nosso auto-conhecimento. 

 

 
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